Domingo, Agosto 29, 2004


Foi dada a largada


E começa mais um período na nossa super faculdade! Essa semana só tivemos aulas de Constitucional 2 e de Civil 2, com o (Deus é pai, não é padrasto) novo professor: João Batista Damasceno, que é juiz. Adeus, Marlan Marinho Jr.! Será que ele volta?

Quero agradecer a todos que entram aqui e sempre deixam comentários com elogios! Prometo visitá-los de volta!

Conhecemos (e zoamos) nossos calouros, que já estão se mobilizando pra conseguir o dinheiro da choppada desse período. Só a título de curiosidade, vai aí uma foto da turma que entrou agora, no hall dos elevadores do 1º andar da Uerj. Essa foto foi descaradamente surrupiada do blog do Vítor, um colega nosso.


Clique na foto pra vê-la ampliada


É isso aí, pessoal, essa semana começam as aulas pra valer! Até a próxima!

postado por Duarte às
5:41 PM

Terça-feira, Agosto 17, 2004


'Voltei das férias em Acapulco'


Depois de ficar um tempo fora de circuito, eu estou de volta, infelizmente não de Acapulco, aproveitando pra agradecer ao pessoal que tem comentado aqui! E já que, como vocês sabem, as aulas só começam dia 23, eu vou desviar esse post para o mundo do jornalismo e colocar aqui as diferentes versões da história Chapeuzinho Vermelho, segundo cada veículo de comunicação:

Cláudia
Como chegar na casa da vovozinha sem se deixar enganar pelos lobos no caminho

Nova
Dez maneiras de levar um lobo à loucura na cama.

Marie-Claire
"Na cama com um lobo e minha avó", relato de quem passou por essa experiência.

Veja
"... fulano de tal, 23, o lenhador que retirou Chapeuzinho da barriga do lobo tem sido considerado um herói na região.
'O lobo estava dormindo, acho que não foi tão perigoso assim', admite."



Fantástico (Glória Maria)
"... que gracinha, gente, vocês não vão acreditar, mas essa menina linda aqui foi retirada viva da barriga de um lobo, não é mesmo...?"

Jornal Nacional (William Bonner)
"Boa noite. Uma menina de 7 anos foi devorada por um lobo na noite de ontem"
(Fátima Bernardes) "Mas graças à atuação de um caçador não houve uma tragédia".

Cidade Alerta (Luis Datena)
"....onde é que a gente vai parar, cadê as autoridades? cadê as autoridades? a menina ia para a casa da avózinha. Não tem transporte público! não tem transporte público! E foi devorada viva! Um lobo, um lobo safado. Põe na tela, primo! Porque eu falo mesmo, não tenho medo de lobo, não tenho medo de lobo não".

Jornal do Brasil
"Floresta: Garota é atacada por lobo". Na matéria, a gente não fica sabendo onde, nem quando, nem mais detalhes.

O Globo
"Retirada Viva da Barriga de um Lobo". Na matéria, terá até mapa da região. O salvamento é mais importante que o ataque.

A Folha de S. Paulo
Legenda da foto: "Chapeuzinho, à direita, aperta a mão de seu salvador". Na matéria, teremos um box com um zoólogo explicando os hábitos alimentares dos lobos.

Sexy
(ensaio fotográfico com Chapeuzinho) "Essa garota matou um lobo!"

Caras
(ensaio fotográfico idem) "Na banheira de hidromassagem na cabana da avozinha, 75, em Campos de Jordão. Chapeuzinho, 12, reflete sobre os acontecimentos: 'até ser devorada, eu não dava valor para muitas coisas da vida, hoje sou outra pessoa´ admitiu Chapeuzinho."

Fonte: Blog do Jorge

postado por Duarte às
10:48 PM

Quinta-feira, Agosto 05, 2004


De férias, sem novidades interessantes, vou deixar aqui um texto que escrevi ano passado. Pra quem não sabe, 'Meus 8 anos' é um poema de Casimiro de Abreu, em que ele revive os áureos dias de sua infância. A infância do meu texto é menos gloriosa.


Meus oito anos (revisado)


Àquela hora, duas crianças apenas permaneciam no parque. Pareciam não ligar para a chuva torrencial que lhes abatia os rostos e os corpos. Os cabelos encharcados, as mãos velhas. Seus sorrisos revelavam total alienação diante da situação. As camisetas ensopadas traziam a estampa da Coca-cola e o emblema de uma loja qualquer. Não! Não era uma loja qualquer!, protestava o menino, que seguia falando sozinho, uma vozinha baixa, ao fundo, que a chuva abafava.

A grama e a terra se confundiam, enterradas pelos sapatos dos meninos. Os cadarços desamarrados, qual seus pensamentos, soltos, nuvens que desaguavam os anos primeiros de mal-estar. Os olhos resistiam aos golpes sinistros desfechados pelo aguaceiro.

Mas já era noite! E aquelas crianças ali, no parque frio, frios, os cadarços desamarrados, os cabelos liquefeitos! Os que passavam de carro protestavam. Mas mantinham o vidro fechado, para evitar que a água os atingisse de alguma maneira. Cuidado, filhinha, pra não sujar o vestidinho que a vovó deu! Vê se pode, meu bem, essas crianças assim, largadas na chuva... Elas não estão na chuva. Estão debaixo dela. O carro continuou seu trajeto para casa.

E as crianças cada vez mais felizes. Dava pra ver em seus rostos. Ai, que desperdício essas roupas assim, tão novas, envelhecendo tão rápido! Mas eles estavam felizes.

E a noite abocanhava as horas, enquanto a chuva, insistente, feria dos meninos as peles, penetrava-lhes os poros. Eles estavam felizes.

A Coca-cola sumia na camiseta encharcada. A chuvulha silenciava o ar sereno, e o chão partido em riachos curtos e fragmentados. Não havia mais ninguém ali, senão os dois. Ao menos não se podia ver. Quiçá por trás das árvores escuras e de troncos fartos, das moitas densas e das grades de ferrugem...

Mas foi então que mães, em completo desespero, descarregaram suas agonias chuva abaixo, ao encontrarem os meninos, ali, mais salvos do que sãos, com suas camisas maneiras e seus cadarços soltos. Foram todos levados para casa, onde uma sopa fumegante e cobertores antialérgicos estavam à sua espera. Um banho quente também estava a caminho. A pneumonia talvez não viesse; sequer uma gripe. Estava tudo bem cuidado e resolvido.

E ficaram ali, no parque escuro, debaixo da chuva fria e impiedosa, ante os carros velozes e indiferentes, sem camisa da Coca-cola, sem cola, sem sopa, frios, os meninos sem mãe.

postado por Duarte às
11:19 AM